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Alta do dólar e mudança na legislação brasileira de leasings gera fluxo de exportação de aeronaves do Brasil

Aeródromos no sul da Flórida reportam grande quantidade de aeronaves com matrícula brasileira em seus pátios

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06/11/2015

Alta do dólar e mudança na legislação brasileira de leasings gera fluxo de exportação de aeronaves do Brasil

Quem frequenta os aeródromos do sul da Flórida já deve ter reparado no aumento estrondoso de aeronaves PP, PT e PR estacionadas em seus pátios. Em pouco tempo, muitas delas deixarão seu registro brasileiro e se tornarão “November” novamente.

O crescente fluxo de aeronaves trazidas ao Brasil nos últimos anos - provenientes em sua maioria do mercado norte americano - rapidamente se inverteu. Agora, grande parte dessas aeronaves retornam às suas origens. A Banyan, um dos maiores e mais conhecidos FBO’s de Ft. Lauderdale, é um belo retrato deste movimento, que teve origem nos seguintes fatores: aquecimento da economia americana / deterioração da brasileira; apreciação do Dólar frente ao Real e, principalmente, na mudança na legislação brasileira de leasings.

Quem tinha aeronaves sob o regime de leasings financeiros ou operacionais (em 2014, quase 200 aeronaves estavam sob um desses regimes no Brasil) que não estivessem sob a condição TPX (Taxi Aéreo), devido a mudança da legislação, não poderão renovar seus contratos. Portanto, antes que seus contratos vigentes cheguem ao fim, precisarão optar pela completa nacionalização de suas aeronaves ou pela exportação e provável comercialização de sua aeronave.

Caso o proprietário opte pela nacionalização, deverá pagar todos os impostos e taxas de importação, que mesmo sendo relativamente baixas se comparados a média brasileira, deixarão seus proprietários numa situação desconfortável, pois uma vez que uma aeronave seja nacionalizada, ela fica fadada a estar de 15 a 25% mais cara que o valor de mercado mundial. Assim, numa possível comercialização futura, fora do Brasil, o vendedor certamente perderá esse percentual.

Com o encolhimento da economia Brasileira e a falta de boas perspectivas econômicas no curto prazo, muitos proprietários de aeronaves estão optando por vendê-las no mercado internacional. Somando-se a isso o câmbio desvalorizado e o fato de o mercado Brasileiro ainda estar longe do volume e liquidez do mercado Norte Americano (apesar de o Brasil ser o segundo maior mercado mundial de aeronaves executivas), cria-se uma tendência muito favorável para a atual debandada de aeronaves do Brasil. Mesmo algumas aeronaves já nacionalizadas se unem a esse movimento, pois dependendo do modelo e do tipo de operação, a possibilidade de venda no mercado brasileiro é muito baixa nas circunstancias atuais.

O proprietário de uma aeronave nacionalizada que tenha pouca liquidez no mercado Brasileiro, em alguns casos, precisaria reduzir seu preço ainda mais do que o valor já pago pela nacionalização, para poder comercializá-la fora do país e, mesmo assim, pode ter dificuldades para encontrar um comprador. Ainda assim, mesmo com os custos de exportação e traslado, a comercialização no exterior faz sentido em alguns casos.

Acreditamos que a realidade do mercado atual, que é um mercado para compradores, com muitas ofertas disponíveis e poucas transações ocorrendo internamente, perdurará enquanto as perspectivas econômicas desfavoráveis continuem. É necessário que o dólar se estabilize (mesmo que no patamar atual) e haja um reordenamento do mercado frente a nova realidade regulatória. Por outro lado, uma vez que essa tendência (de exportação) perca força, acreditamos na retomada do fluxo positivo de importações, porém, com um ritmo mais lento e com a expectativa de um descolamento efetivo dos valores praticados no mercado mundial e no mercado brasileiro.

Tomás Muylaert Arruda Botelho para o FlightMarket
Southern Cross Aviation
Foto: Banyan