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Daher-Socata lança TBM 900

Novo monomotor turboélice está equipado com hélice de 5 pás, winglets e é 40 nós mais rápido que o TBM 850.

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03/12/2014

Daher-Socata lança TBM 900

A Daher-Socata lançou hoje o novo monomotor turboélice TBM 900, o sucessor mais rápido e mais eficiente do TBM 850. O novo modelo possui uma série de melhorias graças a quatro anos de desenvolvimento e análise do conceito de design do TBM. Apelidado internamente de “Century Project”, a fabricante começou estudando a aerodinâmica do avião através de dinâmica de fluidos. Utilizando um modelo computacional conhecido como “Fluent”, os engenheiros descobriram diversas áreas do TBM em que poderiam reduzir o arrasto e ganhar velocidade.

Aerodinâmica e Desempenho

A primeira área foi a admissão de ar do motor. Havia uma turbulência no fluxo no lado direito da câmara de admissão, logo atrás do bordo da entrada de ar. Ao estreitar e inclinar ligeiramente a câmara de admissão, e movendo o disco da hélice 10 centímetros mais próximo da entrada, o TBM 900 ganhou 6 nós de velocidade pela redução de arrasto. Outros pontos de turbulência também foram encontrados nos escapamentos, que após serem redesenhados resultaram em mais 2 nós de velocidade. “foi como se adicionássemos 50 hp no motor”, disse Nicolas Chabbert, vice-presidente sênior do departamento de aviação da Daher-Socata.

Além disso, os estudos mostraram que as portas internas dos trens de pouso principais do TBM 850 estavam reduzindo a velocidade em 3 nós devido ao arrasto, e foram então substituídas por um único par de portas.

Hélice Hartzell swept-blade de 5 pás em fibra de carbono do TBM 900

Duas outras modificações resultaram em melhorias significativas na decolagem e desempenho de subida. A principal é a nova hélice Hartzell de 5 pás curvadas do tipo “swept-blade” feitas de fibra de carbono. Mas o maior segredo para os 15% de aumento no desempenho de subida do TBM 900 é a possibilidade de aplicar potência máxima no eixo do motor turboélice PT6A-66D. Os modelos TBM 700 e 850 eram limitados em 700 shp na decolagem, através de um limitador de torque que era ativado quando o flap estivesse na posição “takeoff”. Apesar do motor do TBM 900 ser o mesmo do 850, a potência na decolagem foi aumentada para 850 shp, permitindo um tempo de subida de 17 minutos e 15 segundos até atingir a altitude máxima de operação de FL310 ou 31.000 pés (sob as condições de atmosfera padrão ISA). É uma melhoria de 14% em comparação ao TBM 850. Quanto à distância de decolagem no nível do mar, o TBM 900 necessita de 714 metros, 138 a menos que o TBM 850 (para obstáculos de 15 m). As margens para decolagem em grande altitude e alta temperatura (hot-and-high takeoff) são ainda maiores, 16% a 23% em comparação ao modelo anterior. Por exemplo, para uma elevação de 8.000 pés e temperatura ISA+30 graus, o TBM 900 precisa de 1.255 metros enquanto o 850 utiliza 1.635 metros.

Outras mudanças aerodinâmicas incluem winglets, que aumentam a eficácia do aileron em ângulos de ataque elevados e produzem o chamado “rail effect” ou “efeito ferroviário”, aprimorando a estabilidade direcional quando a aeronave está voando em linha reta. Uma espécie de barbatana na cauda também foi instalada para aumentar a estabilidade. Nos winglets foram incorporados sensores infravermelhos FLIR (Foward Looking Infrared) e LEDs Whelen, assim como nas demais luzes externas do avião.

Quanto ao desempenho, a Daher-Socata anuncia uma velocidade máxima de cruzeiro de 330 KTAS em FL280 e 326 KTAS em FL310, superiores ao TBM 850 em 10 e 6 nós, respectivamente. No modo de máxima autonomia, o TBM 900 pode ir 100 nm mais longe do que o 850.

Os engenheiros afirmam que a autonomia máxima com tanque cheio alternando a cada 100 nm é de 1.582 milhas náuticas (2.531 km), o que significa 9% ou 132 nm (211,2 km) a mais do que o 850. Com 45 minutos de reserva IFR, o 900 pode alcançar 1.730 nm (2.768 km).

“Para a mesma autonomia do 850, o 900 será 40 KTAS mais rápido”, disse Chabbert. “Ou, vendo de outra forma, para a mesma velocidade, o 900 terá 8% a mais de autonomia”.

Cockpit Daher-Socata TBM 900

Cockpit e Sistemas

Mudanças radicais também foram feitas no cockpit do TBM 900, que agora é mais fácil de entrar e sair graças a um pedestal que foi estreitado e arredondado na base, e assentos dianteiros que são ligeiramente mais estreitos que os dos 850, mas que possuem apoios de braço semelhante a de carros de luxo. A porta do piloto, que antes era um item opcional, agora é padrão no TBM 900. Na verdade, agora a opção sem porta é que será opcional.

Também não há mais alavancas para controle de passo da hélice e de condição no pedestal central. Uma única alavanca de potência é responsável por essas funções. A nova hélice é eletronicamente controlada por um sistema fabricado pelo fornecedor Jihostroj, que mantém a rotação perto do limite de 2.000 RPM.

Há também um novo sistema elétrico. O 900 possui um gerador de 300 A (no 850 e 700 é de 200 A) e o motor de arranque é cortado automaticamente a 50% NG durante a sequência de acionamento do motor. A Daher-Socata afirma que a bateria agora leva 30 segundos para acionar. Na partida com GPU, 15 segundos. Um gerador reserva de 100 A também foi instalado.

Controles do TBM 900

Outras características novas são:

- Versão mais atualizada do software do Garmin G1000, incluindo funções de espera no local (hold-in-place) e imagens de radar sobrepostas à visão do mapa. Além disso, avisos do chip do motor são exibidos na tela;
- Controle do trem de pouso redesenhado, manete iluminada indicando quando o trem está em movimento ou em condições inseguras;
- Painel de controle do anti-ice redesenhado;
- Botão de posicionamento do flap integrado com um sistema que detecta assimetrias;
- Controle automático do pressurização. Basta apenas definir a elevação no destino e o sistema faz o resto;
- Manches ergonomicamente corretos com 7 chaves/botões, descanso de polegar e desenho mais convencional.

Em suma, o 900 é o modelo mais otimizado da linha TBM, além de ser o mais rápido e eficiente. O valor também é maior, começando em U$ 3.71 milhões. A produção do 900 já começou (o 850 parou no número de série 684), com carteira de pedidos para 40 aviões, inclusive no Brasil. Isso é mais do que o total de TBMs vendidos em 2013. A aeronave, porém, ainda não foi apresentada ao público.

Autor: Redação FlightMarket
Fonte e fotos: Daher Socata