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Mitsubishi MU-2B: FAA publica novas regras de treinamento e operação

O bimotor turboélice possui regras especiais devido às características únicas de suas superfícies de comando

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09/09/2016

Mitsubishi MU-2B
Mitsubishi MU-2B possui spoilers nas asas ao invés de ailerons, exigindo treinamento específico dos pilotos. Foto: Mike Collins/AOPA


A FAA, agência de aviação norte-americana, publicou no dia 7 de Setembro uma atualização no regulamento SFAR (Special Federal Aviation Regulation) 108, que define as regras para treinamento e operação do turboélice Mitsubishi MU-2B. As novas regras serão efetivadas a partir de 7 de Novembro e substituirão o SFAR 108, sendo definidas então pela Subpart N da regulamentação Part 91.

O bimotor turboélice da Mitsubishi foi fabricado entre 1963 a 1986, sendo que 704 unidades foram produzidas no Japão e cerca de 750 nos EUA. O Mitsubishi MU-2 possui características únicas em suas superfícies de comando, como o uso de spoilers nas asas ao invés de ailerons.

Segundo a FAA, nos 20 anos que antecederam a SFAR 108, publicada em 2008, houveram 80 acidentes com aeronaves MU-2 com 40 vítimas fatais. Após a implementação das regras, apenas dois acidentes ocorreram na frota norte-americana, composta por 300 aeronaves. No Brasil, existem atualmente 44 unidades em operação.

Nos últimos 8 anos, as políticas da FAA evoluíram, porém, resultando em mudanças que não foram aplicadas na regulamentação da operação do MU-2B. Um exemplo das novas regras é o uso do procedimento de aproximação visual em descida contínua (Continuous Descent Final Approach Procedures) como uma alternativa para o método “dive and drive”, criticado por potencialmente desestabilizar a aeronave em caso de falha em um dos motores. No procedimento em descida contínua, os pilotos iniciam a descida em uma distância e ângulo que leva a aeronave diretamente para a zona de aterrissagem, enquanto no procedimento “dive and drive” a aeronave deve descer rapidamente até nivelar na altitude mínima de descida, o que aumenta os riscos de acidentes em caso de turbulência, falhas ou obstáculos.

 

  Procedimento de descida  



Outras mudanças incluem uma revisão da FAA para procedimentos de recuperação em caso de estol, bem como a remoção dos perfis de treinamento do MU-2 da SFAR 108, permitindo que o documento seja atualizado com mais flexibilidade no futuro, sem a necessidade de passar por todo o processo de regulamentação.


Redação FlightMarket